Uma das mais consagradas intérpretes da música brasileira
Por Orlando Júnior

Elba Ramalho durante inauguração do Ponto de Cem Réis, em João Pessoa / Foto: Alessandra Fontes
Em 1981, Thiago tinha um ano e poucos meses de vida. Ao chegar a sua casa, em certa ocasião, me deparei com ele dizendo “tum tum tum”; achei engraçado e perguntei a sua mãe o que ele estava querendo dizer, ela respondeu, entre risos: “Ele está cantando a música da Elba Ramalho, Bate Coração”.
A pequena história contada acima, pode até parecer sem importância, mas lembra o momento que inscreveu de vez o nome da paraibana Elba Ramalho no cenário cultural brasileiro. A música, composta por Antônio Barros e Cecéu, caiu no gosto popular, conquistou a crítica e foi a primeira, de uma série de outros sucessos, na carreira da “cantriz”, que é como Elba se denomina.
Nascida na cidade de Conceição do Piancó, alto sertão paraibano, filha de um músico, começou a tomar gosto pela música quando se mudou para a cidade de Campina Grande ainda na adolescência. Lá, o pai se tornou proprietário de um cinema e ela foi fazer o antigo curso ginasial. Em 1966 pisou num palco pela primeira vez, na apresentação do coral da Fundação Artística e Cultural Manuel Bandeira, do qual fazia parte. Quando ingressou na Universidade Federal da Paraíba, para cursar Sociologia e Economia, formou o conjunto musical As Brasas, composto apenas por mulheres.
Em meados dos anos 1970 foi se apresentar no Rio de Janeiro como cronner, ao lado do conjunto musical Quinteto Violado e não quis mais retornar à Paraíba. Decidiu abandonar tudo, inclusive o curso universitário, onde estava no último ano, e mesmo sem apoio ou recurso financeiro de espécie alguma, decidiu tentar a carreira na cidade grande.
Em 1974 participou da montagem teatral Viva o Cordão Encarnado, do diretor Luís Mendonça, chamando a atenção da crítica por sua hiperatividade no palco, o que viria a se tornar sua principal característica. Nessa época, passou a freqüentar o Baixo Leblon, onde foi apresentada a artistas e produtores culturais da cidade.
Outras montagens teatrais vieram, até que em 1978 ela participa do espetáculo A Ópera do Malandro, de Chico Buarque, dirigida pelo polêmico diretor Luís Antônio Martinez Correia. Elba interpretava a prostituta Lúcia, dividindo o palco com nomes consagrados como Emiliano Queiroz, Otávio Augusto e Marieta Severo.
Elba Ramalho conseguiu grande destaque com a peça, o que impulsionou sua carreira de cantora e atriz. Vendo o sucesso da estreante cantora, Chico Buarque inseriu uma gravação da música da peça O Meu Amor, interpretada por Elba e Marieta Severo, no disco que tinha como título o nome da canção. O sucesso da música deu a Elba a oportunidade de gravar o primeiro disco solo em 1979, que foi intitulado de Ave de Prata, produzido por Carlos Alberto Sion, que acabara de lançar Zé Ramalho no mercado nacional.
A partir de então, Elba Ramalho direcionou sua carreira mais para a cantora, muito embora, nesse período, fizesse participação como atriz em produções como Morte e Vida Severina, dirigido por Walter Avancini e Arca de Noé 2, dirigido por Augusto César Vannucci, ambos especiais da TV Globo e que fixaram definitivamente o nome da cantora no cenário artístico brasileiro.
Elba Ramalho é considerada hoje uma das principais intérpretes da música brasileira, com expressivas vendagens, graças à presença de palco e voz inconfundível. Ao longo de quase 45 anos carreira, já gravou 29 discos, participou de mais de sete filmes e fez inúmeras participações especiais em novelas e seriados de TV.
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